O ambiente no CT Joaquim Grava vive dias de transição. O zagueiro Cacá, que perdeu espaço no elenco corintiano desde o fim de 2025 e virou opção no banco de reservas, está de malas prontas para defender o Vitória. A pedido da diretoria e com o aval do técnico Dorival Júnior, o jogador foi liberado dos últimos treinamentos. A decisão de afastá-lo temporariamente das atividades visa proteger o andamento das negociações e evitar qualquer distração na preparação do grupo, que tem compromissos importantes pela frente no Campeonato Brasileiro e nas quartas de final do Paulistão.

O negócio já está bem encaminhado e deve ser fechado por empréstimo até o final da temporada. O acordo prevê uma obrigação de compra caso a equipe baiana consiga se manter na primeira divisão do futebol nacional no fim do ano, embora as cifras da transação sigam sob sigilo. Revelado pelas categorias de base do Cruzeiro e com passagens pelo futebol japonês, o defensor chegou a conversar com o Athletico-PR, clube que também já defendeu, mas as tratativas com o Leão da Barra avançaram com mais solidez. Ele deixa o Parque São Jorge com um saldo expressivo de 72 jogos e oito gols marcados, levando na bagagem títulos recentes como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil do ano passado, além da Supercopa Rei conquistada nesta temporada.

A resiliência que marcou o Maracanã

Essa reorganização no sistema defensivo do Corinthians faz o torcedor olhar para o passado e lembrar da essência do clube em confrontos eliminatórios. A capacidade de sofrer em campo e segurar o adversário é uma marca histórica da equipe, algo que ficou cravado na memória de quem acompanhou o eletrizante jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil de 2018.

Naquela noite fria de 12 de setembro, o Maracanã pulsava de forma ensurdecedora. A torcida do Flamengo fazia uma festa impressionante nas arquibancadas para empurrar seu time, e o que se viu no gramado foi um verdadeiro bombardeio. Os donos da casa ditaram o ritmo do início ao fim, terminando o confronto com absurdos 73,8% de posse de bola. O Timão, acuado, sobreviveu com apenas 26,2% do controle de jogo e uma atuação defensiva que beirou a exaustão.

O segundo tempo virou um teste de sobrevivência. O Flamengo esbarrava numa muralha e acumulava oportunidades desperdiçadas na área paulista. Everton Ribeiro regia o meio-campo e distribuía cruzamentos venenosos. Réver tentou pelo menos três cabeçadas perigosas, Léo Duarte também subiu no meio da área, mas a bola teimava em desviar nos zagueiros ou parar nas mãos de Cássio. O ídolo corintiano foi fundamental para frear o ímpeto carioca, garantindo o zero no placar com defesas cruciais e esfriando a pressão quando precisou de atendimento médico na reta final.

Estratégia e suor até o apito final

Enquanto o relógio corria a favor do Corinthians, os treinadores tentavam mudar a história do jogo. Pelo lado rubro-negro, nomes como Lincoln, Henrique Dourado e Willian Arão foram a campo nas vagas de Vitinho, Fernando Uribe e Lucas Paquetá. A ordem era furar o bloqueio de qualquer maneira. Diego tentava arremates de canhota de fora da área e Gustavo Cuéllar sofria faltas para empurrar o time para o ataque. Vitinho chegou a ter finalizações bloqueadas graças à cobertura rápida da defesa alvinegra, que contava com o apoio constante de laterais como Renê e Rodinei no campo ofensivo.

Do outro lado, a equipe paulista apostava na combatividade extrema. O jogo ficou picotado, marcado por faltas táticas no meio-campo. Douglas chegou a ser amarelado por parar Diego, e jogadores como Ángel Romero, Ralf e Danilo Avelar se desdobravam para fechar qualquer espaço. As substituições trouxeram fôlego novo para a marcação: Mateus Vital entrou no lugar de Clayson, Paulo Roberto substituiu Fagner e Ángelo Araos assumiu a vaga de Gabriel.

Os minutos finais foram de sufoco absoluto. Escanteios seguidos cedidos por Douglas, Léo Santos e Paulo Roberto mantinham o Flamengo rondando a área de Cássio. Mesmo diante de tamanha superioridade na criação de jogadas, o ferrolho corintiano não quebrou. O apito final confirmou o empate em 0 a 0 no Rio de Janeiro. Aquele resultado blindou a equipe para o jogo de volta, provando que a tradição alvinegra de montar defesas impenetráveis sempre dita o ritmo das noites de copa.